'Tentei ser como eles,todos tão iguais, mas no mundo onde vivo, todo mundo ama alguém a mais - ou nunca amou.'

domingo, 17 de outubro de 2010

Eis que surge uma filosofia descascando amendoim...



A mão é a vida. Os amendoins somos nós. Vamos ao forno, passamos por um terrível calor até torrar-nos.

Aí é preciso que a vida descasque. E isso requer paciência, cuidado para deixá-los inteiro, sem hematomas. Dentre a imensidão, muitos não resistem, morrem queimados pela combustão, outros ficam feridos e marronzinhos demais, sem utilidade. Os melhores se salvam. Ficam no ponto. Resistem a todo o doloroso processo. São fortes.

As mãos que os descascam fazem carinho naqueles que saem perfeitos, begezinhos, gordos e lindos. Tem os magrinhos delicados também, merecedores de admiração. As mãos admiram aquilo que ela seleciona. Sente muito diante aqueles que ela precisa jogar fora. Mas fazer o quê? São os que não conseguiram resistir.

Assim somos nós, amendoins em processo degustador. Nascemos, vamos sendo calmamente preparados para o terrível processo da aprendizagem e amadurecimento. Vamos ao fogo. Passamos por terríveis provações. Precisamos resistir. Pois depois que toda a dor passar a vida vai admirar a conclusão do processo, vai acariciar a beleza que surgirá.

Há os que se deixam queimar. Desistem. Perdem a esperança da recompensa. Perdem a fé na vida e em si mesmos. Não conseguem acreditar que superarão. Que será todo o processo da dor que os fará ganhar o sabor.

Aos que resistem vem a recompensa. Quem os prova sente o quanto há de encanto em no gosto, admiram sua estrutura perfeita e veem como ‘aquele’ se diferencia daqueles que morreram pelo caminho.

Há quem não goste de amendoim e ache tudo isso bobageira. Uma pena. Vão provar frutas, doces... outros licores talvez. Que provavelmente não tenham passado por esse metamorfósico processo. Não vão sentir o gosto do amendoim vencedor. Vão gozar da fruta ou do doce, mas não vão os admirar.E prazer sem admiração é só satisfação momentânea. Prazer vazio. Ilusão e prazer.

Degustação requer admiração. Ou não. Tem gente que come por comer. Uma pena. Não enchem barriga. Não nutrem-se. Perdem as preciosas vitaminas que esse grão contém.

Perdem a minha vitamina. Eu amendoim, begezinha e rechonchuda, toda admirada pela mão que me descascou. Admirada por toda uma vida bem amadurecida. Toda superada da combustão. Sobrevivida e pronta para ser provada pelas melhores bocas, tais que saberão devidamente degustar e gozar do meu sabor. Com admiração.

2 comentários:

  1. Acho que sou um amendoim que resistiu! Espero minha recompensa rsrsrs! adorei o texto amiga! Crônica mais que criativa e aplicativa!

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  2. Eu prefiro ser a metáfora do amendoim numa metamorfose ambulante!Do que ter aquela opinião formada sobre tudo!

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