'Tentei ser como eles,todos tão iguais, mas no mundo onde vivo, todo mundo ama alguém a mais - ou nunca amou.'

sábado, 26 de fevereiro de 2011

Efemeridade diferenciada


Eu tinha uma ferida. Dessas que achamos que não vai sarar jamais. Então apareceu um remédio que curou. Como era um experimento, teve seu efeito colateral. Curou a ferida, mas começou a interferir outros órgãos, criando uma outra doença. Persistiu, se espalhou, enraizou.

Foi então que me sugeriram uma nova droga, outro experimento. Alguém que está ferido e precisa da cura costuma não evitar muito a medicação. Mas quando estamos bastante acostumados ao fracasso de alguns métodos, de início não botei muita fé.

O medicamento funcionou, quase que de efeito imediato! Regenerou os órgãos atingidos, diminuiu quase que em totalidade as dores diárias. Eu diria até que mudou o ânimo e o humor. Não teve efeito colateral. Pior que isso, ACABOU O ESTOQUE.

Como sabemos que parar com a medicação sem encerrar o tratamento pode fracassar o sucesso, ontem um órgão latejou de dor. Hoje outro acordou danificado. Agora são dores voltando juntamente com a abstinência e precisão urgentíssima do novo medicamento.

Será que o carinho, a importância e o querer bem também entraram em falta na farmácia da vida? O amor já está em falta faz tempo... Tanto que solucionaram o problema substituindo-o pela efemeridade.

Infelizmente a minha dor não é efêmera. Muito menos passageira, Há restos, destroços e saudades inclusas. Sim, eu aceito uma nova droga. Só precisarei verificar se tem estoque o bastante para o tratamento, caso este venha a ter sucesso. Porque pior que o fracasso de um experimento, é o seu sucesso sem o gosto do dia seguinte.

2 comentários:

  1. Adoro ler e nunca comento.. Não sei muito bem o porquê. Mas hoje apeteceu-me dizer o quanto gosto das coisas que escreve, e do quanto admiro a tua capacidade sentimental ;)

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