'Tentei ser como eles,todos tão iguais, mas no mundo onde vivo, todo mundo ama alguém a mais - ou nunca amou.'

sexta-feira, 11 de março de 2011

12:00 A.M

Estar sóbria tem metaforizado uma crise existencial. Prefiro o gasto, o esquecimento, o estrago. Pago para ficar tudo bem. Não me incomoda o valor, o desgaste e a vergonha. Pago pra me fazer sorrir! “Uma cerveja, por favor?” Duas, três... e vai. Comprei o meu sorriso e o seu por estar comigo.

Hoje estou sóbria e não há nada que eu possa pagar. Não falta a grana, está faltando as sobras. Sobra de todas as coisas casuais que eu comprei nos últimos anos. E não há nada que compre ou que pague tudo o que não me sobrou.

Ganhei muita coisa e perdi muito mais. As coisas que não me sobraram se dissolveram nos restos das noites. “Mais uma cerveja, por favor?” Eu preciso do gosto, da visão dilatada, do que acho que seja. Salto, rímel, glamour. Tudo em excesso e sem sobra.

“Quer uma cerveja?” “Não, obrigada!” Desci do salto, diminuí o rímel e sobrou glamour. Sobrou história, sobrou lembrança, sobrou tudo que nunca restava. Hoje estou sóbria.

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